
Quantas vezes fechamos os olhos e contamos até dez, cem e respiramos fundo, tentando não pensar em como a pessoa a nossa frente faz o nosso sangue ferver, mas sabemos em nosso interior que apesar de toda raiva que aquela pessoa nos faça, não podemos perder a cabeça.
Quantas vezes ignoramos aquela voz que nos diz e logo depois contradiz sem meio mais.
Somos tachados de tudo, queremos liquidar aquele ser perturbador que zomba de nos.
Mas mesmo com todo esse podre que a vida traz tento não pensar em como fica bem o pescoço daquela pessoa preso entre minhas mãos, mas não, respiro fundo, penso em coisas que me deixam feliz.
Ah, mas há momentos em que o pensamento que me deixa feliz evapora e some, o sangue sobe, a paciência deixa de existir, então eu deixo a raiva fluir.
Um aviso já me deram e ignorarei que a raiva que me alimenta cimenta meu ser.
Não me desespero, pois quando fecho os meus olhos para contar e respiro para me acalmar o ar traz novas ondas de ternura que me faz voltar a te amar.